reflexão

“Muros brancos, povo mudo”*

Com o propósito de responder às modificações geradas pela apropriação informal de cariz gráfico (ex: graffiti), a postura mais imediata por parte do poder politico é através dos seus técnicos, fazer avançar programas mais ou menos elaborados de limpeza e manutenção das superfícies publicas e privadas que conformam o espaço publico (ex:Estratégia de Melbourne).

Está por provar que este impulso é na realidade um gesto eficaz face aos fenómenos actuais de apropriação mais ou menos criativa ou mais ou menos destruidora que se podem observar pelas diversas categorias de espaços públicos existentes.

Por outro lado o desconhecimento dos efeitos positivos ou negativos destes fenómenos tanto para a economia (ex: via turismo criativo e cultural, Lisboa ), como social (ex: através do envolvimento das comunidades) o que acentua o carácter tecnicamente não fundamentado destas medidas.

A fundamentação técnica assente na recuperação conservadora do edificado faz sentido numa óptica de musealização a qual nem sempre é compatível com as formas mais genuínas de vivência em comunidade. (“What Time is this Place?” Kevin Lynch 1976)

Aparentemente uma situação de relativa simplicidade pode apresentar-se como complexa e de difícil gestão, tornando-se um sorvedouro infindável de recursos, gerando situações de clara insustentabilidade. (“Cities For A Small Planet”, Richard Rogers 1997)

É certo que o rigor das posições de confronto têm os seus resultados, e cabe ao poder politico e às forças de segurança publica zelar pelo cumprimento da lei. Porém esta posição não sustenta todo o trabalho dos técnicos responsáveis pelos projectos de reabilitação ou criação de espaços públicos, tudo o que possa ser desenvolvido de forma a evitar a manutenção custosa, repressão e vigilância, deve ser integrado na fase de projecto(“O Chão da Cidade”, CPD 2002 )

O acto de marcar as superfícies remonta aos primórdios da existência humana e ao longo da Historia desenvolveu vários contornos conforme as tecnologias utilizadas na inscrição e das razões colectivas, singulares, artísticas, politicas, formais ou informais, etc. Logo as respostas ao nível do desenvolvimento dos espaços públicos, e arquitectónicos tem surgido na medida do conhecimento individual ou do bom senso do autor na adaptação da obra ao território assim como na melhor gestão dos seus recursos (ex: “Towards a Critical Regionalism” 1983 Kenneth Frampton).

Pedro Soares Neves
Proposta de tese de doutoramento, texto justificativo, Istituto Superior Tecnico 2009.

*frase da autoria de Antonio A.

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